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sábado, 10 de março de 2012
ADEUS
Fitaram-se ... era a última vez.
Os olhos dela ardiam abertos
Lágrimas quentes escorriam
A voz rouca dele o sufocava
Não estavam com raiva mas magoados
Com o coração oprimido pelas cobranças
Mais uma briga ...
Não existia mais diálogo.
Não podiam mais falar sem o hálito envenenado
das ofensas, como se dentro deles tivessem
feras bramindo, urrando em gritos
Apagara o fogo da paixão não sobrou cinzas.
Como uma fumaça que sobe e desfaz no ar
A esposa virou estranha, a amante, inimiga,
da mesma forma o marido virou patrão e o
parceiro adversário. A cegueira das emoções
conturbadas os impedia que enxergassem o
outro em sua carência, inquietação, solidão, mágoa.
O campo em que estavam explodia minado por
protestos, queixas, desconfianças, e todos os sonhos
e projetos escorreram pela lama da força das
palavras sentenciando os dois.
Aqueles lábios que se beijaram agora gritavam ...
Aqueles braços que se abraçaram faziam as malas ...
Caso encerrado. Partida para bem longe...
Por suas cabeças, a dor do orgulho ferido, a auto-
estima derrubada, enroscada, salpicada de ironias,
duplos sentidos, silêncios tao densos que poderiam
ser cortados com a tesoura do jardineiro.
A batalha terminara e os dois estavam derrotados!
Agora restava apagar as destemperanças das ofensas
O fantasma das ausências
O luto que fariam um para o outro.
Detalhes dos bens, ficariam para advogados
Não poderiam falar nisso agora.
Com eles levariam só uma certeza ...
ADEUS ... não haveria mais volta.
Iara.
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