As nuvens corriam depressa no céu, dando
lugar às cinzentas e pesadas que desciam por toda
cidade num movimento rápido incrível, levantando
redemoinhos de pó, papéis,sujeiras, sacos plásticos,
revolvendo tudo pela cidade. E o vendaval mudava
de posição, quebrando árvores, galhos, balançando
toldos, provocando curto-circuito na fiação elétrica
das ruas. Em pouco tempo se ouvia outras explosões
de muflas descarregando e escurecendo tudo de vez.
O temporal não tardou, com chuva grossa e muita
ventania por todo o dia e a noite toda. Na periferia
a face intranquila previa o medo dessa tromba d' água,
mais ima catástrofe na cidade. Pela manhã, os olhos
vermelhos, injetados, indicavam a insônia que passaram.
Marcas do temor, da perda e da morte. O córrego que
passava próximo virara um rio caudaloso, com corredeiras
barrentas, levando tudo em seu caminho.
Quando terminou a paz retornou.
A paisagem modificara.
Havia sujeira por toda parte.
O céu puro e o sol claro mostravam os estragos.
A desorganização atrapalhava a fluidez do trânsito.
As enxurradas, os alagamentos, os entupimentos,
persistiam com dificuldades de escoarem.
A locomoção dos pedestres era um caos.
A reparação urgente e rápida fazia-se necessária.
O vendaval é ameaça por onde passa, seja no campo
ou na cidade e afeta os recursos naturais e a
saúde do povo.
iara.

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