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sexta-feira, 23 de março de 2012

PORCINA



Conheci uma viúva Porcina.
Mulherão, alta, exagerada em tudo.
Gostava muito de brilhos, amava jóias, roupas trabalhadas,
aplicadas de pedrarias, paetês, bordadas e às vezes tudo
junto. Fazia-lhe bem aparecer por isso usava para ir trabalhar
durante o dia. Seus sapatos sempre na moda e de saltos,
chiquérrimos faziam conjuntos com as grandes bolsas,
igualmente belas, enriquecendo o modelito. Tinha uma
coleção de botas e capas incríveis para o inverno, sempre
atualizadas. Seus cabelos curtos eram vermelhos e ondulados,
sobressaíam com os faustos brincos e os vários colares
usados em feixe.
Por que Porcina?   Porque seus exageros iam além das belas
roupas e em tudo que tocava deixava seu brilho de exagero
Era bom conviver com ela e observá-la no seu humor, sua
fala cheia de risos altos demais, às vezes cochichado, suas
críticas, suas criações para a escola na qual era diretora,
suas festas anunciadas.
Claro que era bifásica!   Ora estava pra cima, ora pra baixo.
Mas isso a fazia especial e cheia  de buscas diárias.
Cada dia era diferente do anterior e quando estava pra baixo
soltava "os cachorros em cima" dos próximos, com sua
língua afiada. Mas era previsível, porque o que usava era
indicativo do seu humor.
Seu namorado era calado, tímido e fiel e se ela exaltava
ele sumia por horas desconfiado.
É bom conhecer as diferenças e poder conviver .
Aceitá-las  é ato de bondade.
iara.

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