Seguidores

sábado, 25 de fevereiro de 2012

ESTÓRIA DE PEÃO


Aquele era apenas um acampamento no mato.
Um emprego temporário para alguém necessitado  de
manter seus filhos. Mas estava lotado de homens, tratores,
ferramentas e com distribuição de tarefas certas. Ali se ouvia
outra língua falada de forma rápida, rindo e olhando para os lados.
Eles tinham cara de índios e um hábito estranho de guardar folhas verdes
nos bolsos e as mascar, engolindo o sumo. Estávamos na divisa
do nosso país, desmatando uma enorme área e levando a
madeira, para futuramente plantarmos soja  lá.
Nesse dia meu amigo havia sentado num tronco fumando.
Os pássaros estavam agitados em  volta dele mas nenhum
pousava no tronco. Foi de arma em punho que o gritei para ele
sair dali e fui lá.  Enrolada num canto do tronco, uma bicha
 enorme, uma cascavel. Lá não se matava. Cotuquei nela com
uma vara e ela foi embora. Os pássaros sempre avisam do perigo.
Existia perigo por todos os lados: formigas venenosas, insetos de
todo tipo, bandos de cachorros do mato, e um calor infernal.
O acampamento fornecia o alojamento, comida e banho, mas
alguns voltavam para suas casas a tarde, a cidade era perto.
Recebiam  por semana, salário bom e certo.
Lugar incomum aquele e só mesmo por necessidade
trabalhava-se lá.

Nenhum comentário: