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domingo, 19 de fevereiro de 2012

A BRIGA




Depois de tantos anos juntos, namorando, podiam se ver  de
longe, se conheciam de olhos fechados, mas... se amavam de
olhos abertos. E foi vendo o que não existia que brigaram feio
trocando ofensas de sangrar a alma. Ferveram por alguns 
instantes, deixando vir à tona excrementos, lixos de anos de
 convivência em queixas e ofensas, que os deixaram estúpidos,
naqueles momentos. Romperam. Acabou tudo.
Sobrou uma ressaca enorme, uma mágoa, uma dor difícil de
reverter. Agora só com a ajuda do alto.
Santo Antonio foi o primeiro, porque era o patrono de todo
tipo de causas perdidas... mas ele não a ouviu.
A velha feiticeira da cidade a ouviu e fez predições, mas nem
ela podia evitar a dor profunda das agulhadas que trocaram.
Ver o que não existe, é uma distorção do ciúme...
Ter a teimosia de amor é mal renitente como conselheiro...
Toda prepotência nos cega e só o arrependimento poderia
evitar o suplicio do sofrimento nesses corações.
Passado algum tempo, refletiram melhor.
Ele a procurou para se desculpar...não teve tempo...
caíram um nos braços do outro, no abraço e na ternura, nos
beijos molhados pelas lágrimas salgadas e choraram.
A onda de amor os envolveu, 
O encanto explodiu em felicidade.

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