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domingo, 12 de fevereiro de 2012

BOTEQUIM

O bar ocupava um prédio velho da esquina, num bairro de periferia.
Sua pintura gasta, vestia as paredes com todo tipo de pixações.
Com sua duas portas abertas e muitas mesas com cadeiras no
passeio, as pessoas íam e vinham, comprando de tudo: desde cigarros,
chicletes,cachaça, cerveja, tira-gosto dos bons, churrasquinhos que
cheiravam longe.
Em algumas mesas unidas, antigos frequentadores jogavam carteado
fumando e tomando cervejas, gritando: truco!
Alguns músicos tocavam alegres  seus instrumentos.
O único garçon servia correndo entre as mesas.
Havia muitas mulheres alí, algumas jovens com enormes argolas nas
orelhas e fumando como chaminé, outras mais velhas com maquiagem
espessas e copo na mão percorriam as mesas e com frequência
desapareciam levando o cliente  pelo braço para os fundos do bar
ou para um carro parado.. Todos alí falavam  alto demais e davam
gargalhadas como se ouvissem piadas. Alí havia toda sorte de vícios
escancarados.Nao faltavam o piscar de olhos, os gestos obcenos e o
palavrão que corria a solta.Tudo muito normal.
Quando havia desentendimentos, os murros e socos, garrafadas,
corriam a solto. Às vezes um tiro assustava algum atrevido.
Era uma Zona Residencial com dezenas de pessoas convivendo a noite
inteira com o batuque, brigas, gritos, xingos,..... era uma zona,
aliás a melhor para os "negócios " .
         Hoje para tristeza do lugar,
         funciona alí uma padaria!......

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