Descia a ruela estreita, com uma grande barriga
depois do trabalho.
A escuridão estava cheia de sons,falas,
choro de crianças,televisão e ninguem dormindo.
Caminhava rápido nem olhando para os lados
com pressa de chegar e descansar.
Vento comum me trouxe cheiro de gás
e de imediato um estrondo me fez parar.
Olhei,onde?Assustada procurei pelo barulho
e vi que enormes chamas lambiam o negrume
em direção do céu não sei de onde.
Era como se o fogo caísse do espaço
em faíscas acendendo nossas casas
como velas buscando na intimidade
aniquilar tudo.
Grande alvoroço se fez e a desorganização
e pânico alastrava num enloquecedor fascínio
de gritos e choros de salvamento.
Por segundo tive uma vertigem.
Meu mundo caía e eu morria de morte
que feria minhálma de dor e calor.
Me afastei daquilo que era verdadeiramente
real e feroz,um espetáculo de terror.
Fiquei de longe sem ter o que fazer e
aguardar.
Pedir misericórdia de Deus!
Depois tentar buscar as sobras,esquecer
e recomeçar.
Perdemos tudo,mas ninguém se feriu.
Meu filho nasceu logo depois.
Era o sopro da esperança em
nossas vidas...

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